sábado, 22 de janeiro de 2011

Recordações

Enquanto arrumava, e revirava papeis encontrei as nossas fotografias, as únicas recordações daquilo que um dia fomos, daquilo que um dia vivemos, e que pensávamos ser eterno. Pensei em incendiá-las, para apagar essa recordação, mas não fui capaz, percebi que não é só no papel que está estampado, mas também minha memória.
Continuei, e encontrei as cartas escritas em madrugadas de desespero, onde as palavras estão inundadas de sentimentos, quando apenas naquela forma encontrava uma forma de expressão e de me libertar. Lá, ta expresso a saudade e o carinho, que tinha por ti. Não dormia, com medo de te perder, passava noites em branco, a contar as horas e minutos para o dia nascer, e eu ir a correr ter contigo. Tar nos teus braços, e sentir a segurança e conforto que transmitias.
Enquanto tava a ser levada por essa recordação, relembrando todos os momentos passados juntos, procurei a pulseira. Aquela pulseira que me deste, que sempre que a pego, lembro-me daquela surpresa que me fizeste,a melhor de todas.. quando me chamaste para ir á janela, e lá estavas tu,mais lindo do que nunca, com a tua guitarra,com um sorriso fantástico e os teus olhos brilhantes, cantaste para mim, desci,  agarraste-me e beijaste-me com toda a força onde não me querias largar. Mas ... quando dou por mim, estou sentada no chão frio, encostada á estante, agarrando com toda a força a pulseira, e com uma lágrima no canto do olho.
Quando me tento levantar, olho para o espelho e vejo-te sentado na minha cama... e percebo que não te esqueci. Mesmo assim, e cada vez mais emocionada não consegui parar, no meio de todas aquelas recordações, encontro um papel dobrado, abro-o, e é um bilhete de comboio, mais uma vez, fecho os olhos e viajo de novo no passado, ao teu lado. Vejo a imagem do dia maravilhoso que tínhamos passado. De me convidares para jantar na tua casa, com os teus pais, e depois desse jantar me teres deixado á porta de casa dizendo que eu era tudo para ti, e que não me querias perder. Regresso da viagem, e sinto-me diferente, o meu coração parece uma bomba prestes a explodir, porque? Porque na outra mão tenho uma marca daquele hotel, em que marquei o quarto, no dia dos teus anos. Em que jantamos, a sós, com música ambiente e com tudo aquilo a que tínhamos direito, em que tu não te cansavas de dizer que eu tava linda, eras o meu princepe. E eu, nos teus braços, naquele momento sentia-me uma princesa, a forma como me beijavas, como me agarravas e me olhavas, era a melhor sensação que alguma vez tinha sentido. Foi uma noite especial, a primeira vez que dormimos juntos, a primeira de muitas noites em branco, em que eu ficava derretida vendo-te dormir, sempre tão sereno. Quando abro os olhos, mais uma gota traça-me o rosto, mais uma ferida tocada, e não consigo deter as lágrimas, choro, choro e sem levantar o olhar do chão pergunto-me porquê de estar assim. Não consigo ter explicação.
Ainda sentada, no meio de todas aquelas recordações, mais calma, decido continuar a viagem ao passado, e na mão esquerda continuo agarrando a pulseira com muita força e sempre com o olhar fixo no chão regresso ao mundo maravilhoso que vivemos juntos. Relembro, aquele dia em que mesmo cansado de uma noite, acordaste cedo para estares comigo, e com a minha família, fomos passear pelo Alentejo. Era verão e estava um calor, insuportável dentro do carro, mas mesmo assim eu estava no paraíso, por te ter ao meu lado, agarrado á minha mão, sussurrando-me que eu te fazia feliz, o dia foi passando, e como sempre, chegou a hora de me despedir, e mesmo não querendo largar-te, beijo-te como quem se despede.
Abro os olhos, e o meu corpo pede o teu calor, o meu olhar a tua presença e o meu coração o teu amor. Não aguento e as lágrimas vão me caindo descontroladamente, olho para a porta, e sonho verte entrar, e que voltasse tudo ao que um dia foi..

Foi um momento de sonho e de recordações, tudo acabou, foste-te embora deixando-me com perguntas, e com muitas memórias boas, e menos boas. Teria muitas mais historias para te contar, onde só eu e tu sabíamos o que sentíamos nelas. Mas deste modo, peço-te para que nunca te esqueças de mim, pois, eu nunca me vou esquecer de ti.

Beijo,
Matilde